carta 2 – do silêncio que me alige
” o coração alegre serve de bom remédio, mas o espírito abatido virá a secar os ossos… o espírito do homem aliviará a sua enfermidade, mas o espírito abatido, quem o levantará?’
pv 17.22 e 18.14
já faz algum tempo que eu me sinto assim, alheia, apática, inerte. meu coração de tão abatido se aflige ao menor sinal de esperança… à menor sombra de uma mísera esperança. e eu adoeço…
eu adoeço todas as vezes que me pego pensando na linha tenue e frágil que existe entre nós e que nos trouxe até aqui. eu me aborreço todas as noites que sonho contigo, sonho com teu sorriso, com teus olhos… aaaah!!! até quando, até quando haverá a distancia?!? ela é mesmo necessária? eu já não sei o que digo, na verdade.
eu tentei controlar a situação, dar voltas e voltas tentando achar um meio de voltar por conta própria, mas as coisas não são assim. e eu estou aqui novamente, alheia e seca até os ossos. já não sei o que sinto, já não tenho certeza de meus sonhos [isso porque não eram só meus - eu acho...] enfim, hoje poucas coisas me dão esperança e isso me doi. antes olhares apaixonados, agora abraços partidos… tendo os olhos tão tristes e cansados de esperar.
polaridades…
‘nunca, em verdade, procura o amante sem ser buscado pelo ente amado.
quando o raio do amor se atirou neste coração, sabe que existe amor naquele coração.
quando o amor de Deus cresce em teu coração, sem dúvida alguma Deus tem amor por ti.
nenhum som de palmas vem de uma só mão sem a outra mão.
a Divina Sabedoria é destino e decreto que nos fazem amantes uns dos outros.
por este pre-ordenamento, cada parte do mundo se acasala com seu par.
ao olhar dos sábios, o céu é homem e a terra é mulher; a terra cria o que o ceu deixa cair.
quando à terra falta calor o ceu o envia; quando ela perde seu frescor e umidade, o ceu os restaura.
anda o céu às voltas como um marido a buscar provisões para a esposa;
e a terra se atarefa com as coisas de casa; cuida dos nascimentos e de amamentar aquilo que da a luz.
olha a terra e o ceu como dotados de inteligencia, pois fazem o trabalho de seres inteligentes.
se ambos não extraem prazer um do outro, por que então se adulam mutuamente como namorados?
sem a terra, como poderiam as arvores florir? para que, então produziria o céu água e calor?
assim como Deus colocou o desejo no homem e na mulher, para que o mundo seja preservado por sua união.
tambem implantou em cada parte d existencia o desejo da outra parte.
dia e noite são inimigos externamente; contudo, ambos servem a uma finalidade.
cada qual ama o outro, a fim de aperfeiçoar sua obra mutua.
sem a noite, a natureza do homem não receberia qualquer rendimento e nada haveria para que o dia gastasse.’
rumi – poeta muçulmano
incompleto…
algumas músicas falam por mim, mas às vezes eu mesma preciso escolher as palavras… selecioná-las como se recolhem as uvas para fazer um bom vinho, como o tempo que se espera para amadurecerem… e tudo não passa de um processo, tão grotesco e encantador.
quando foi que dissemos adeus pela primeira vez? e essa palavra entrou em nosso cotidiano e assim nos acostumamos à distancia?! não, mesmo isso não passa de um processo… tão edificante e doloroso.
saber o que dizer… eu sempre quis saber o que dizer ao inves de manter o silêncio, mas minha reticência o importunava e eu estava insatisfeita. as coisas poderiam ser diferentes, mas diferentes como? seria melhor? seria pior? seria… diferente e ainda assim desejaríamos que fosse diferente.
processos, processos e processos!!!
de que me valem, se estou partida ao meio agora?! será que a outra metade vai se regenerar?
salmo 62… porque isso me dá esperança…
‘a minh’alma espera em Deus
dEle vem a salvação
Ele é a rocha
meu alto refúgio
a minh’alma espera em Deus
dEle vem a esperança
Ele é a rocha da minha salvação
o meu refúgio
jamais me abalareei
confiai nEle oh povos
em todo o tempo
derramai perante Ele
vossos corações
pois é o nosso refúgio
nossa fortaleza
socorro presente
em tempos de angústia
pelo que não temerei
ainda que a terra se mude
ainda que os montes se lancem no meio do mar
continuarei firme em Ti
não serei abalado
pois Tu és meu Deus
único e eterno Deus
sempre te louvarei’
nosso refúgio – igreja bíblica da paz
universo interior

o silêncio intangível no qual me dissolvo,
não passa da saudade perene e inquietante
que compõe minha solidão.
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